"Por todo esse país fora, e com particular incidência e densidade durante a decorrente estival época, se podem contemplar belos exemplares daquilo a que um gajo se refere como os "emigras". Gente que morava cá e foi trabalhar para fora, em especial para França. Quem como eu nunca presenciou a famosa sequência do «Jean-Pierre vien ici... Jean-Pierre vien ici... Jean-Pierre vien ici... Anda cá caralho!!!». Poluição sonora. Quem como eu nunca passou por um grupo de filhas de emigras aos berro que nem labregas que começam logo a piar fininho e em franciú mal vêm um gajo? Heptadecagónicos caralhos me fodam... Retornados é inquestionavelmente de lycra. Senão, vejamos:
É gente que não tem tomates e vai enterrar a cabeça na areia e fugir, em vez de lutar, à Homem. -Chamam aos filhos Jean-Pierre e Jean-Claude, que é como quem diz Sr. Lantejoula alvitrando o homossexual futuro que lhes desejam.
- Renegam a língua de origem, verborreando hecatômbicas barbaridades na ordem do «Jean-Pierre fecha a fenêtre pra non entrrar la mouche!».
- Deixam os putos andar vestidos de bermudas largas, t-shirts com imagens de skaters e DJs, bonés de rede, crista DESCOLORADA no cabelo, BRINCOS, e como se não bastasse em CONJUNTOS DA MESMA MARCA E COR. E óculos de sol de massa vermelhos, com lentes daqulas que parece que têm óleo em cima.
Certamente se compreenderá que serão perfeitamente desnecessárias quaisquer outras provas.
Não vou dizer que emigras não têm a sua componente máscula: afinal, o Olympia de Paris encheu duas vezes para Tony Carreira. Chamasse-me eu Maria/Tina/Micas, e vir-me-iam as lágrimas duas vezes aos olhos: a primeira, pela emoção de ter tal figura nacional num espectáculo tão grandioso; a segunda, só de pensar na quantidade de ossos de frango que teria de limpar do chão do recinto. Mas o facto de terem deixado a nação natal por qualquer motivo que não fosse a guerra, faz deles incontornavelmente espécies alariladas
NOTA:
Tome-se especial atenção para não confundir os emigras com os imigras ou turistas, devendo o homem a sério nesse caso referir-se a eles, consoante a sua nacionalidade, da seguinte forma:
"Futebol é um jogo d'homem. Sim, leram bem, jogo, e não desporto, porque desporto é exercicio e exercicio é de roto (sim, até desportos de porrada). Ou seja, homem que é homem não joga futebol, apenas sabe como se joga. O macho não joga futebol também devido à reputação que os jogadores deram à actividade. Dantes, os jogadores eram muito mais macho: - usavam bigode,- jogavam com bolas de couro que ja por si eram pesadas mas que absorviam a agua da chuva, o que lhes multiplicava o peso, - os jogadores não rapavam as pernas,- ganhavam um bolo de arroz no fim do jogo em vez duma fortuna, - a maioria dos campos eram pelados e a tinta era de cal, o que queimava a pele,
ou seja, era tudo colhão, tudo a pingar de testosterona. Hoje em dia os jogadores de futebol preocupam-se tanto com o jogo como se preocupam por parecer modelos: - trocou-se o bigode pelas bandeletes e elásticos (coisas de mulher, como é possivel), - rapam-se as pernas, - as bolas parecem penas, - os jogadores ganham fortunas, - já não há tantas invasões de campo como deveria haver, - os campos são relvados, - a tinta não é abrasiva, - e até têm carrinhos que os tiram do campo se fingem que se aleijaram, uma vergonha.
O declínio do futebol, felizmente não trouxe a extinção do jogador macho, ainda sobrevivem alguns jogadores que não usam bandeletes, e não têm medo de dar porrada nos menos afortunados adversários, mas mesmo assim não se equiparam aos camiões de macheza que havia dantes.
Portanto, os machos de hoje remeteram-se apenas aos cafés e tascos onde, por mais sebento que o tasco possa parecer, há sempre uma televisão de ecran panorâmico ou pelo menos assina-se a Sportv. ou seja, todos os dias há horas do dia onde os homens da zona assistem a todos os jogos da liga, todos, mesmo os dos últimos clubes. Quanto a clubismos, não há clube mais macho que outro qualquer. Encontram-se machos de todas as cores e a variedade dá origem a diferenças e as diferenças dão origem a zaragatas, ou seja, coisa d'homem. O gang do testículo junta-se de frente para a televisão a beber cerveja trazida constatemente pela micas/tina/maria e a falar a altos berros, por cima dos comentários do jogo que tentam comentar por cima das vozes dos machos.E assim se passam tardes e noites a ver a bola, a beber a jola e a andar a porrada, sempre em nome da masculinidade.